Recentemente eu me deparei com um grande problema relacionado a subdomínios. Manter ou não?

Pelas minhas próprias experiências de SEO, sei que é melhor manter as páginas de um site e suas sessões dentro do domínio principal para que toda a relevância dessas páginas reforcem esse domínio. Mas, como convencer os desenvolvedores e infra de um grande site (considere mais de 3 milhões de URLs), que o subdomínio existente deve ir para um diretório, e todas as URLs existentes devem fazer um redirecionamento 301 para sua URL correspondente na nova estrutura. Problemão para comprovar somente com experiência.

Então, para me ajudar a embasar a importância dessa mudança, e ter certeza de que essa mudança é necessária, decidi reunir aqui alguns cases que encontrei na internet em blogs referências de SEO como o Moz.com.

Antes de falar dos cases, vamos deixar claro apenas alguns conceitos:

  • Subdiretório: também conhecidos como pastas, é criado a partir do domínio. Ele aparece sempre ao lado direito do domínio, após a barra (/). Ex.: www.dominio.com.br/subdiretorio
  • Subdomínio: é uma subdivisão do domínio. Aparecem antes do nome do domínio, antes do ponto (.). Ex.: subdominio.dominio.com.br

O que o Google fala sobre o uso de subdiretórios e subdomínios

Em 2011, o Google publicou em seu blog que considera links de subdomínio e subdiretório como links internos. Por exemplo, antes, apenas links que começavam com o domínio raiz do site eram considerados como links internos, então se você tinha uma página www.dominio.com.br/categorias/nome-categoria/ que recebiam links da página www.dominio.com.br/categorias/nome-categoria/artigo.html, era considerado como link interno, mas se o link viesse de uma página dentro de um subdomínio, como por exemplo subdomio.dominio.com.br/categorias/nome-categoria/artigo.html, era considerado como um link externo. Como a maioria das pessoas enxergam o subdomínio e diretórios como de um único site, o Google decidiu que os dois casos seriam considerados como links internos.

Depois, em 2012, Matt Cutts disse que “São quase a mesma coisa.”. Atenção para o “quase”.

Em agosto de 2014, Jonh Muller confirma isso em vídeo. No minuto 10:06 do vídeo, respondendo a uma pergunta de um dos telespectadores, ele fala que subdomínio e subdiretórios são tratados da mesma maneira e ainda sugere que a melhor escolha deve ser embasada de acordo com a melhor questão técnica ou organizacional. Traduzindo: “Não se preocupe com subdomínios mais, o Google consegue identificar que são do mesmo domínio e está tudo bem.”

Mas não é bem assim que as coisas acontecem…

Casos de estudo: subdiretório vs. subdomínio

Moz.com

Rand Fishkin, nosso queridinho do Moz.com, fez um vídeo para o whiteboard friday falando sobre a diferença de se usar um ou outro.

De acordo com sua experiência, Rand fala que a mudança de um conteúdo para o subdomínio pode ser bem perigoso para SEO. O que foi falado por Cutts e Muller, apesar de tudo que pode ser lido nos links apresentados no subtópico anterior, que os motores de busca podem considerar o conteúdo em um subdomínio como o mesmo da URL raiz, assim como os links dessas páginas apontando umas para as outras, e que os dados de uso do usuário mais os fatores de rankings como um conjunto de coisas que de fato podem beneficiar o site, assim como seus subdomínios. Mais uma vez, atenção para o “podem”.

Rand, junto com sua equipe fez uma mudança para subdomínios 3 vezes de 2013 a 2015, posteriormente voltando o conteúdo para subdiretórios. Todas as vezes, eles observaram que aconteceu um aumento considerável nos rankings e tráfego orgânico, tanto long quanto head tail, após a volta do conteúdo para o domínio raiz.

Como recomendação final, Rand sugere fortemente que se mantenha o conteúdo de um site em um único domínio. Um dos testes mais recentes foi a mudança dos guias de SEO de guides.moz.com para moz.com/beginners-guide-to-seo e que os resultados foram surpreendentes.

Como ele mesmo disse em vídeo:

“Rankings rose dramatically across the board for every keyword we tracked to the pages.”

Infelizmente não publicaram esse resultado em gráfico, mas o fato de ainda manterem dessa forma, é um bom motivo para acreditar que é melhor.

iwantmyname

Timo Reitnauer, do blog iwantmyname, mudou uma parte do conteúdo do seu site de subdiretório para subdomínio, mas teve um resultado muito ruim.

Em julho de 2014, ele pegou todo o blog do site e colocou no subdomínio como blog.iwantmyname.com. Considerando que o Google já conhecia esse conteúdo, pois estava na URL iwantmyname.com/blog, não deveria levar muito tempo para as páginas recuperarem sua relevância.

Depois de 6 meses, tudo o que tinham conquistado ainda não tinha sido recuperado. O tráfego ainda era apenas 2/3 do que era antes da mudança.

Gráfico da mudança

Gráfico da mudança

Apesar de todas as recomendações “by the book” que foram feitos para que a relevância dessas páginas não fossem perdidas, como redirects 301, não foi o suficiente para recuperar o tráfego anterior. O conteúdo foi movido novamente para /blog para recuperarem o que tinham antes da mudança.

Vircara

Craig Emerson fez um laboratório para provar que existe uma diferença de tratamento dos motores de busca em relação ao uso de subdomínio e subdiretórios. Em seu experimento, um site com foco em carreiras para estudantes e profissionais chamado Vicara, criou o subdomínio blog.vircara.com para atrair tráfego de acordo com algumas palavras-chave de maior importância para o negócio.

Uma das palavra-chaves de acompanhamento do experimento era “choosing a career”. O esperado era ter um rank de pelo menos top 100, já que a palavra-chave não possuía um alto nível de competidores, no entanto, isso não aconteceu. Após duas semanas depois da mudança para um subdiretório, o site estava rankeado na posição 57 dos resultados de buscas.

Craig fala:

Here’s the fact, if you set up your blog as a subdomain instead of a subdirectory, the ranking of your blog will suffer.

Quando usar subdomínio – as exceções

Alguns casos que acredito que o uso do subdomínio faça sentido:

  • Sites de linguagens múltiplas ou regiões: se você tem um serviço ou conteúdo que é oferecido em mais de um país ou região, onde o comportamento de busca das pessoas de um lugar para outro é diferente, pode ser um caso de conteúdos separados por subdiretório. Ex.: brasil.dominio.com e portugal.dominio.com. No caso de linguagens, en.dominio.com e br.dominio.com. Eu tenho visto vários sites indo além disso, como no caso do Yelp e Walmart, onde os sites foram para domínios de seus países (.com, .com.br, .com.mx). Acredito que nesses casos tem mais a ver com a infra e organização das empresas.
  • Empresas com mais de uma franquia ou loja: é uma forma do dono da franquia ou loja controlar seu próprio conteúdo sem interferir no conteúdo dos outros locais. É como entregar um site para cada uma das franquias para que otimizem seus conteúdos de acordo com sua região, mercado, promoções, etc.
  • Site mobile: colocar a versão mobile de um domínio em um subdomínio pode ajudar a direcionar melhor os usuários de acordo com os devices que estão usando. É um pouco complicado para manutenção, pois as alterações feitas na versão desk devem ser replicadas para a versão mobile.

No entanto, todos esses casos citados acima, funcionam também como subdiretórios. Então deve-se olhar não somente o tráfego ou ganho de SEO, mas também os usuários. No caso mobile, o Google ainda recomenda como melhor opção um site responsivo, ao invés de criar um subdomínio.

Conclusão

Antes de mudar um site de subdiretório para subdomínio, analise o que deve ser resolvido e qual impacto isso pode causar. Em termos de tráfego orgânico, sabemos que o Google “pode” considerar como sendo do mesmo domínio, mas isso não garante que toda a relevância desse conteúdo como subdiretório será passado para a URL como subdomínio.

Para passar de subdomínio para subdiretório, analise as complexidades técnicas envolvidas. O tráfego orgânico de um site depende muito mais de um bom conteúdo, atualização, qualidade e performance, do que uma mudança dessas. Analise seus dados e, se fizer a mudança, faça um acompanhamento de perto pelo GWT e pelo seu web analytics.

No final das contas o que realmente importa é o valor de negócio que vocês está entregando. Lembre-se de pensar no retorno esperado em cima dessas mudanças, e não esqueça de quantificá-las.

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